
O Imperfeito de Inspira
O imperfeito me inspira
Posso te contar uma coisa que eu tenho pensado sobre?
Eu sou artista, ou assim acho que sou. Faço arte, ilustrações e como pode perceber, estou escrevendo. Não sou perfeita em nenhuma dessas atividades, e a verdade é que eu nunca serei.
É fácil entender então o porquê do "imperfeito" me inspirar.
Quando vejo um retrato desenhado que simplesmente não segue todas as regras, fundamentos e que mesmo assim tem seu charme, tem aquela característica única que me faz gostar do que seria considerado imperfeito.
Tenho observado que o que mais me chama atenção nas artes que admiro por aí não é somente a técnica do artista em si, se ele segue as regras, se não segue, mas o que ele coloca ali, as cores que escolheu, a composição que criou, o sentimento naquela imagem. A verdade é que eu acabo observando e admirando a arte como se fosse uma história, e cada uma conta algo diferente que se encontra nas linhas, cores, formas, na luz, na sombra...
Eu também gosto de um texto mal escrito. Eu não me importo se ali a gramática está absoluta, se a vírgula está no lugar correto. Eu gosto de ler porque eu quero entender aquela mente, eu gosto de ler porque eu quero saborear uma história, independente da capacidade gramatical daquele escritor, ou algumas vezes, do "falador". Histórias contadas no calor do momento, ou no silêncio de uma noite mais fria, ou entre amigos numa mesa de bar que seja, entre colegas no trabalho.
Essa troca que acontece quase que de forma despretensiosa.
A escrita dá espaço pra pensar e elaborar melhor.
O "imperfeito", esse assim, entre aspas, me inspira porque nele eu posso ser, eu posso realizar, eu posso compartilhar, sem grandes cálculos ou esforços. Eu me deixo ser, me deixo fluir sem cobranças, sem grandes limitações, eu fico mais perto do que é incondicional.
Eu nunca me considerei muito boa em falar aquilo que penso na hora que penso. Sempre guardo comigo pedaços de palavras e frases que eu queria ter dito, mas não soube dizer naquele momento chave, e aí essa chave fica comigo sem abrir portas, sem desbloquear alguma coisa. Eu imagino que isso possa soar dramático, talvez poético e até enjoativo, mas eu gosto. Eu gosto dessa linguagem que se derrama, que se espalha e às vezes se perde. Se perder não é tão ruim assim, é um lugar de tremenda vastidão. Ali, no se perder, você ganha a chance de se encontrar, nem que seja por um breve momento. E o que é um momento no tempo e no espaço? Ele pode ser eterno.
Ainda sobre um texto mal escrito (possivelmente algo como este), ele me ganha especialmente quando eu sinto honestidade, aquela que chega a ser desconfortável, que tem um tempero especial, é caseira, é feita à mão, é humana.
Acho que já está óbvio que atualmente está mais difícil escrever, registrar em forma de palavras aquilo que você enxerga, o que você observa, as coisas ordinárias da vida comum, mas ali tem história e tem valor. Falta atenção pra perceber, e sem essa atenção as histórias acabam, porque o que você vai contar se você não viu nada acontecendo?
Eu costumava fazer uma brincadeira quando eu era criança, que era simplesmente fazer de conta que estou vendo alguma coisa que já conheço pela primeira vez. Me lembro de chegar em casa depois da escola e fazer de conta que estou vendo aquele lugar pela primeira vez... "Uau." Por mais bobo que pareça, isso me fazia notar os detalhes com mais atenção, perceber cores e objetos que eu já tinha esquecido que existiam. E ainda hoje, quando me lembro, faço esse exercício, até mesmo de me olhar no espelho como se eu acabasse de descobrir como eu sou, isso tem poder.
Me ocorreu só agora que talvez eu poderia te contar um pouco do porque decidi escrever um blog, de novo. Em 2010-2011 eu tinha um blog, ele se chamava " o papagaio abusado" e lá eu escrevia e me divertia, tinha de tudo, parte da minha mente ficava ali, meio exposta, e aquilo me fazia bem. Depois que parei de escrever ali, continuei, de forma mais quieta e resguardada.
Hoje, dia 1 de julho, senti uma vontade louca de voltar de alguma forma, até chegar na ideia de um blog novamente. Esse lugar simples onde eu posso escrever e compartilhar o que esta passando pelas particularidades da minha mente.
" O depois do agora " nasceu, assim, sem muitos planos.
E agora vou parando por aqui. ♥︎
-zimarrie
